Premiação 'Mestres da Cultura Viva' emociona o público
13/01/2014

Carregando imagens...

O público lotou a Igreja São Benedito para prestigiar os dez vencedores do Prêmio Mestre Cultura Viva, da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR). A cerimônia de premiação foi na noite da sexta-feira (10) com folia de reis, moda de viola, solos de berimbau e sanfona, declamação de poesias, entre outras manifestações artísticas.

 

Cada um dos vencedores recebeu R$ 5 mil, totalizando R$ 50 mil nas categorias mestres em vida e in memoriam. Foram avaliadas 23 inscrições por uma comissão de habilitação e seleção.

 

O Prêmio Mestre Cultura Viva é um reconhecimento da atuação dessas pessoas na importância da cultura joseense e de todo o país. Eles contribuíram e muitos deles ainda colaboram para o fortalecimento da identidade cultural brasileira. Eles trabalham para a salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro.

 

“Foi uma grande conquista. Em mais de 40 anos como mestre em capoeira nunca havia recebido uma homenagem destas”, disse o capoerista Everaldo Bispo de Souza, o Mestre Lobão. Ele se inscreveu com o incentivo de uma aluna.

 

“Esse prêmio representa muito para mim. Muitas vezes deixei de estar com a minha família, de cuidar dos meus afazeres pessoais para me dedicar ao São Gonçalo”, explica a festeira Natalia Machado, outra vencedora que diz que se emocionou bastante quando recebeu a homenagem por divulgar essa tradição herdada dos pais. “Enquanto estiver viva, farei de tudo para levar em frente a Festa de São Gonçalo.”

 

Confira o perfil dos premiados

 

Carlos Lourenço, 80 anos, pescador e artesão de barcos e redes.

Aprendeu a confeccionar redes aos 7 anos de idade e construiu o primeiro barco aos 14. Pescou até o fim da década de 1970 no Paraíba. Foi obrigado a parar com a atividade por causa da poluição do rio. Teve como aprendizes os filhos, além de alunos das oficinas de confecção de rede de pesca, ministradas por ele na região.

 

José Soares da Silva (Zé da Viola), 75 anos, violeiro

Compôs cerca de 90 músicas, 20 delas gravadas em “Produto do Paraíba”, trabalho que alerta para a poluição do rio que corta São Jose dos Campos.

Começou a tocar viola aos 8 anos escondido do pai. Há 23 anos, desde quando se aposentou, ministra aulas sobre viola caipira, participa de grupos de Folia de Reis e São Gonçalo, além de se apresentar com amigos e alunos em todo o Vale do Paraíba.

 

Maria Benedita dos Santos (D. Lili), 95 anos, figureira

Aos 6 de idade fez sua primeira figura, uma galinha, e não parou mais. A grande mestre foi a avó Porcina, que fazia potes, panelas, moringas e outras peças para uso doméstico. A primeira exposição foi em 1987 na inauguração de um restaurante em São José dos Campos. Depois desse evento, foram centenas de convites para exposições, aulas, palestras, montagens de presépios e outras atividades. Em 2013 ganhou o prêmio Culturas Populares do Governo Federal.

 

Natalia Nascimento Gonçalves Machado, 60 anos, festeira de São Gonçalo

Nascida em casa de festeiros, foi com os pais que aprendeu toda a tradição de São Gonçalo. A casa onde mora abriga uma capela em devoção ao santo e também é o local onde é realizada a festa. Atualmente transmite essa tradição ao marido, à filha, sobrinhos e também para os moradores do Vale do Paraíba, que a ajudam todos os anos na homenagem a São Gonçalo.

 

Sebastião Marcolino, 80 anos, mestre de Folia de Reis

Há 66 anos é mestre em Folia de Reis. Começou a tocar e cantar nos grupos aos 7 anos de idade sob influência do pai, que lhe incumbiu a missão de continuar essa tradição. Lidera o Estrela Guia, que durante 20 anos foi o único grupo de Folia de Reis em São José dos Campos. Outros grupos de São José dos Campos foram formados por pessoas que aprenderam o reizado no Estrela Guia.

 

Everaldo Bispo de Souza (Mestre Lobão), 61 anos, capoeirista

Recebeu o título de professor de capoeira pelas mãos do famoso Mestre Suassuna em 1970. Mas o aprendizado começou aos 8 anos de idade. Há 42 anos é responsável pela Besouro Mangangá, primeira academia de capoeira do Vale do Paraíba, onde centenas de joseenses aprenderam essa arte. Mestre Lobão difundiu a capoeira em países como Estados Unidos, Azerbaijão e Áustria. Foi agraciado com o prêmio Viva Meu Mestre, do IPHAN, em 2010.

 

Jesus Pereira de Lima, 57 anos, mestre de Folia de Reis

Faz parte da 5ª geração de uma família cantadores, que mantém um grupo centenário. 

Acompanha os reis desde os 10 anos de idade no Sertão da Onça, na Serra da Bocaina.Além de São José dos Campos, Jesus participa de grupos em Caraguatatuba, São Sebastião, Jacareí, Bananal, Areias, entre outros municípios. Por influência dele, outros parentes seguem essa tradição e muitos membros de grupos no Vale do Paraíba aprenderam com ele a arte de cantar em Folia de Reis.

 

Kardec Gonzaga, 56 anos, sanfoneiro

Nascido em uma família de músicos, foi o pai quem lhe ensinou a arte de tocar sanfona. Já participou de festivais, programas de rádio e televisão e apresentações em shows, clubes e bailes. Também atua em grupos de folia de reis. Há mais de 30 anos é professor de sanfona. Entre as instituições onde ensina a tocá-la, está a Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

 

José Alves de Mira (Zé Mira), 81 anos, tropeiro (in memorian)

Grande divulgador da cultura popular, participou de grupos de Folia de Reis, Jongo, Congada, Moçambique e Catira. Lições ensinadas pelo pai, avós e Vó Caia, uma rezadeira de Minas Gerais.Trabalhou como tropeiro e carreiro nas décadas de 1930 e 1940. Foi um dos fundadores da Orquestra de Viola Caipira de São José dos Campos.

Ensinou os costumes da vida do caipira para alunos e professores das redes municipal, estadual e particular de ensino em São José dos Campos.

Faleceu em 23 de agosto de 2008.

 

Antonio Gusmão (in memoriam), 89 anos, mestre de Moçambique

Foi o pai quem lhe ensinou o manejo dos bastões. Em 1940, aos 18 anos, ele assumiu o comando do grupo de Moçambique da Vila Tesouro. Levou o grupo para apresentações e celebrações em casas de cultura, museus, paróquias, eventos de cultura popular entre muitos outros lugares em São Paulo. Transmitiu a tradição do Moçambique para filhos e netos, que preservam até hoje o grupo na Região Leste de São José dos Campos. Faleceu em 30 de agosto de 2011.

Mais notícias
Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Governança