‘Museu Vivo’ mostra manifestações de devoção a São Cosme e São Damião
23/10/2014

O Museu do Folclore de São José dos Campos realiza neste domingo (26), das 14h às 17h, ‘saberes’ da cultura popular ligados à devoção de Cosme e Damião. Esse é o tema do Museu Vivo do mês de outubro, uma atividade aberta ao público, realizada no Parque da Cidade (Avenida Olivo Gomes, 100).

Participam desta edição os ‘fazedores’ Alexandrina Bispo dos Santos, na culinária, Aparecida Cristiane Oliveira, no artesanato, e José Fernando de Souza, na dança e na música.

Manifestações em devoção aos santos católicos Cosme e Damião (lembrados também pelo Candomblé e pela Umbanda) são encontradas principalmente entre os meses de setembro e outubro. Neste período, devotos têm o costume de distribuir balas às crianças e fazer doces e comidas para cumprir promessas feitas aos santos.

Alexandrina Bispo já participou outras vezes do projeto e domingo vai mostrar seus conhecimentos ao fazer uma canjica, ou munguzá, como é conhecida na Bahia. Foi lá que a ‘fazedora’ nasceu e aprendeu com a mãe adotiva a fazer a iguaria. “Naquela época, o doce era feito nas festas de Cosme e Damião, em festas juninas e também quando havia visita na casa”, conta ela.

Já adulta e morando em São Paulo, Alexandrina deixou de lado as tradições, tanto religiosas como culinárias. No entanto, graves problemas de saúde da sua primeira filha levaram-na a fazer uma promessa a São Cosme e São Damião: se a menina sobrevivesse passaria a fazer doces na festa dos santos. A filha se recuperou e Alexandrina passou a agradecer a graça recebida fazendo o que havia prometido.

A ‘fazedora’ Aparecida Oliveira, que quase morreu no parto de sua filha caçula, também prometeu que faria uma festa aos santos por terem atendido ao seu apelo: continuar viva para poder cuidar dos filhos. Desde então, as festas que faz para São Cosme e São Damião são decoradas com bexigas e bandeirinhas de papel nas cores branco, rosa e azul claro. As mesmas cores de fitas que Aparecida enfeita atabaques utilizados na Umbanda, religião à qual ela está ligada desde criança e onde conheceu a festa.

José Fernando e sua esposa são, respectivamente, pai e mãe de santo no Candomblé. Na época das festas de São Cosme e Damião eles distribuem doces e fazem um ‘xirê’ (festa ao som de atabaques) para os santos gêmeos, denominados ‘Vungi’ ou ‘Ibeji’. No domingo, durante o ‘Museu Vivo’, José Fernando vai mostrar como é esta festa e falar sobre Candomblé, explicando o significado de cada orixá presente.

O ‘fazedor’ também nasceu na Bahia e, mesmo não sendo de família religiosa, desde pequeno foi chamado para as festas de Cosme e Damião. “Lá, as comidas, que levavam dias para ser preparadas por toda a comunidade, eram servidas no chão, sobre folhas de bananeiras e mamoneiras”, lembrou José Fernando.

O Projeto Museu Vivo é realizado mensalmente pelo Museu do Folclore de São José dos Campos, sempre aos domingos, sob gestão do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), organização social sem fins lucrativos que mantém convênio com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR).

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