Museu do Folclore ensina danças, comidas e modo de construção populares
19/02/2015
O Museu do Folclore de São José dos Campos (Avenida Olivo Gomes 100 - Parque da Cidade) retoma neste domingo (22), das 14h às 17h, o Projeto Museu Vivo. Quatro fazedores de cultura estão convidados para abordar técnicas tradicionais de construção, dança da Catira e do Moçambique, e preparação de arroz doce e baião de dois. Eles vão interagir com o público durante as atividades.

Realizado sempre no último domingo de cada mês, de fevereiro a novembro, no lado externo do Museu, o Projeto traz diferentes fazedores para mostrar à comunidade seus saberes a respeito da cultura popular local e da região.

Na primeira edição do projeto, está convidado José Donizetti Costa (53 anos), mais conhecido como ‘Biscuit’. Ele cresceu na zona rural, onde teve contato com técnicas tradicionais de construção de casas, como o pau-a-pique, que será apresentada no Museu Vivo deste domingo (22). Costa mora no bairro dos Freitas e sua profissão atual é construtor.

A técnica do pau-a-pique consiste de uma estrutura de bambu na qual é colocado o barro comum, que depois de seco é coberto por uma camada de barro branco (tabatinga) para fazer o acabamento, podendo ou não passar cal para finalizar. José Donizetti utiliza técnicas tradicionais e novas em suas construções, consideradas de boa estética, ecológicas e econômicas.

Manoel dos Santos Almeida (62 anos) é agricultor e nasceu em Monteiro Lobato. Desde cedo passou a conviver e participar de danças de Moçambique e São Gonçalo. Em 2008, juntamente com o irmão, criou um grupo de Catira e começou a ensaiar e apresentar-se em festas religiosas, eventos cívicos ou comerciais e, também, no Revelando São Paulo. Mais tarde formou um grupo de Moçambique.

Maria Beatriz Machado de Andrade (68 anos) nasceu no bairro do Guirra, em São Francisco Xavier, e aprendeu a fazer arroz doce com a mãe, brincando de casinha no seu “fogão de mentirinha”. Em sua casa não falta doce, que ela prepara num fogão a lenha, mesmo sendo diabética, assim como seu marido.

Ela só lamenta não poder mais fazer com o leite de vaca da roça, pois rendia mais e ficava mais gostoso. “Com o leite da cidade dá mais trabalho, pois é mais ralo e tem que apurar mais tempo para evaporar a água”, conta.

Cícera Guedes Silva nasceu em Petrolina (PE) e vive em São José dos Campos há quase 25 anos. Veio com o marido e a filha mais velha em busca de trabalho e melhores condições de vida. Ela guarda muitas lembranças da terra natal, pois foi lá que aprendeu com a mãe a cozinhar baião de dois, bolo de mandioca, feijão verde, cuscuz de milho, bolo de milho, angu, beiju e tapioca – alguns dos pratos que normalmente a família comia.

No Museu Vivo, Cícera fará o baião de dois, receita que leva feijão de corda (ou feijão verde, quando consegue achar), arroz parboilizado, linguiça, bacon e queijo coalho. Para temperar, Cícera usa tomate, cebola roxa, pimenta de cheiro e coentro.

O Projeto

O Museu Vivo é um complemento da exposição permanente do Museu do Folclore, “Patrimônio Imaterial: Folclore e Identidade Regional”, em que a cultura popular está representada nos objetos, fotos e vídeos à disposição do visitante. Durante a realização das atividades a exposição permanece aberta para visitação.

É coordenado do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), associação social sem fins lucrativos que mantém convênio com a Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) para fazer a gestão do Museu do Folclore.

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